terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Recife: cresça, mas não desapareça com as nossas árvores!

















A Terminalia catappa costuma dar uma ótima sombra, como se
pode ver na foto acima. De acordo com a região ela pode ser chamada
de Castanheira, Castanheira Portuguesa, Castanha da índia, Castanhola,
Sete Copas, Chapéu de Sol e possivelmente outros nomes
. Fonte.

















Preservando o que, mesmo? Três árvores (da espécie Terminalia
catappa) foram derrubadas ontem à tarde pela prefeitura do Recife, numa
calçada da rua José de Alencar, em frente a um prédio empresarial
que está sendo construído pela empresa ROMARCO, próximo a Praça Miguel
de Cervantes, na Ilha do Leite.
Imagem retirada do site.


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A José de Alencar é uma das ruas mais tradicionais da área residencial do centro do Recife, juntamente com a Soledade, Dom Bosco, Manuel Borba, Sossego, Marques do Amorim, Gervásio Pires e tantas outras.
Muitas gerações de famílias cresceram e continuam crescendo nessa vizinhança. Pra quem não sabe, ou não lembra pelo nome, ela é aquela rua que vai da esquina da loja Riachuelo da av. Cde da Boa Vista, até a praça Miguel de Cervantes, na Ilha do Leite.

De uns tempos pra cá, a rua José de Alencar vem apresentando uma tímida, mas constante expansão imobiliária, justificada pela proximidade com o pólo médico da Ilha do Leite e com o Fórum da Ilha de Joana Bezerra, além de ser uma boa opção também para novos moradores, pela sua localização.

Não é de hoje que muitas dessas ruas tem assumido esse perfil misto de residencial/comercial/empresarial, como na maioria dos bairros centrais de qualquer capital brasileira. E isso é perfeitamente compreensível e aceitável, pois é o reflexo do crescimento populacional,
econômico, etc.

O que não é compreensível (e muito menos aceitável) é crescer e mudar a paisagem da cidade pra pior, tirando de muitas ruas do centro (e de outras localidades) algo que elas tem (ou tinham?) de mais característico e de bom, que é a cobertura vegetal proporcionada pelas nossas árvores - há décadas, moradoras daqueles logradouros.

Ontem (13-12-2010) presenciei uma equipe da prefeitura cortando 3 (três) árvores de grande porte (Castanholas) na calçada da rua José de Alencar (em frente a um prédio empresarial que está fase de conclusão). Não sou técnico nessa área, apenas frequento o local, mas acho que as árvores pareciam saudáveis, assim como o Ficus enorme que foi arrancado da calçada do Hospital João XXIII, no mesmo bairro.

É triste assistir a cenas como essas, no ano em que prefeitura lançou um novo plano de arborização para a cidade, o qual até agora a população não sabe ao certo quais são as metas de tal plano.
O pouco que sabemos é que um cidadão pode ser multado se for flagrado simplesmente "podando" uma árvore na calçada da sua própria casa, enquanto empresários que proporcionam o crescimento econômico para o estado/município, recebem autorização para cortar árvores inteiras no entorno de seus empreendimentos, sem motivo aparente (doença da árvore, risco de queda, etc).

Liguei para o setor de cortes e podas da prefeitura (Emlurb) para saber se o mesmo havia sido autorizado e recebi a confirmação de que sim, o corte foi autorizado pela DIRMAM (Diretoria de Meio Ambiente, da prefeitura). Liguei várias vezes pela manhã (entre as 10 e 11h) para os números que o funcionário da Emlurb me forneceu como sendo da DIRMAM (3355 8712/8452) e ninguém atendeu. Liguei para um outro setor da Emlurb, onde outro funcionário me sugeriu ligar para o PABX da prefeitura (3355 8000) e novamente, ninguém atendeu.
Já o telefone da Brigada Ambiental (3355 2112 também da prefeitura), ninguém atende desde ontem quando liguei por volta das 15h, após presenciar o abate das árvores. Liguei pra lá diversas vezes hoje pela manhá também e ninguém atendia.

Informei a situação a dois repórteres de dois dos mais antigos e importantes jornais em circulação da nossa cidade/estado.
Quem sabe, eles não teriam mais facilidade em contactar a DIRMAM, descobrir o verdadeiro motivo da eliminação das árvores e explicar a população quais são os critérios da nossa prefeitura para justificar esse tipo de ação destrutiva?

Até me provarem o contrário, eu vou ficar acreditando que as árvores foram derrubadas para facilitar o acesso ao mais novo prédio empresarial/comercial da Ilha do Leite. É o Recife crescendo sem sustentabilidade?
Onde fica o bem estar da população (árvores = sombra = menos calor = mais humidade = paisagem mais agradável/bonita = bem estar).
Assim como estas da rua José de Alencar, quantas outras podem estar sendo retiradas da nossa cidade sem critério algum?


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Um comentário:

Dany disse...

Infelizmente isso é um absurdo que está acontecendo ao mesmo tempo em inúmeras cidades do país. Quedas de árvores são tão normais quanto quedas de raios, se elas caem sobre algo ou alguém é um acidente, fatalidade, e não um crime. Estão julgando e executando milhares de árvores em todo o país a troco de "nada". Aqui em minha cidade o mesmo tem acontecido, e eu estou irritada!
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